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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cavernas, mundo subterrâneos, escafandristas - onde a Terra Ronca/GO


                          Ana Claudia Farranha - Professora universitária - Brasilia/DF
Terra Ronca é uma região mais ao Norte de Goiás, onde o Cerrado é, de verdade, Cerrado ( não tem soja, como na Chapada dos Veadeiros/ Alto Paraíso/GO). Faz divisa com a Bahia e, é a terra das Cavernas. Mas, o que dizer de "alguéns" que saem de casa no feriado, com os filhos pequenos, enfrentam 07 horas de estrada... qual o sentido das cavernas??
A autora do texto, das fotos e da façanha - Ana Farranha...


Serra d(o)e Goiás - do outro lado é a Bahia



Para abrir os trabalhos ( Bar Esperança intinerante): pão e vinho - sempre bem-vindos
Subterrâneos sempre foram  meus mundos preferidos. Aquilo que não está na superfície. Que parte da entranhas....e forma, na mistura de água e calcário, desenhos que só a imaginação pode compreender. Essa é a sensação que a visita a uma caverna pode dar. Lá no fundo, escuro, há uma vida que apesar da falta de luz, se recria nas imagens que visitantes, curiosos e pesquisadores tem da ciência chamada espeleologia. Nesse embalo, Terra Ronca é uma divertida opção para feriados prolongados e férias.
Caminho e entrada da Caverna Angélica
 

O Rio Angélica - que corta a caverna e tem esse nome por causa dos frutos de uma planta


Tirando a estrada muito punk - tanto a BR 020 quanto a estrada de chão, o passeio vale a pena. A paisagem é linda.  Árida, seca, mas como típico do Cerrado, cheia de vida. Visitar as cavernas é uma excelente experiência, traz a possibilidade de conhecer o desconhecido e voltar para luz com outras imagens na retina.
Olha as formações (estalactites) e suas formas: um tigre

Peitinhos de Angélica ( a caverna - evidentemente!!)

E, por falar em caverna...um anjo..

Em Terra Ronca não muitas opções de hospedagem. A recomendação é a Pousada São Mateus -http://www.pousadasaomateus.tur.br/index.htm. Gente amiga, querida e hospitaleira. 
A boca da São Bernardo

Entrada da Caverna Terra Ronca - que tem esse nome por causa do barulho do Rio.

Ipês e Calcário: Terra Ronca vista de lado
Então, se a vontade de sumir bater, não hesite: junte a turma ( a molecada "guenta" o tranco dos sobe-e-desce) e rume para (o) Goiás.  Segue um pouquinho do que vimos e vivemos por lá. — Cavernas de Terra Ronca/GO

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ainda, Alto Joeba, em Achieta-ES

                        Gilvan Vitorino C. S.
De terça feira – dia 07 de fevereiro – para quarta feira, dormi em Alto Joeba, lá em cima, cerca de 800m de altitude.
Lindo
Mesmo sob uma cobertura de Eternit, numa área de uma residência ainda em construção, já com um bom e generoso fogão a lenha, dormi sono de justo.

Aquela noite foi a noite da lua!

Não me lembro de ter presenciado uma noite tão dia! A lua se impôs, altiva...

Mas desconfio do que tenha acontecido, o que motivou a lua a abusar da luz enviada do sol: acho que foi porque eu e meu amigo João Alfredo (o proprietário do local) chegamos já depois de findado o dia. ”Então - deve ter pensado a lua -, que haja luz para que a beleza dessas montanhas não fique encoberta...”

A lua estava tão à vontade, com tanta disposição, solícita como jamais eu vira, que, mesmo já com o nascimento do sol, ela ainda podia ser observada bem a oeste.

Dessa vez, fotografei bastante para que minha admiração pudesse ser compartilhada.

Continuo a pensar, como suspirou meu tio: “esta vista só é experimentada estando num avião”. 
Para chegar lá em cima, percorre-se uma estrada ruim, mas muito ruim mesmo! Parece que aquele alto de montanha se insere naquilo (eis uma analogia possível...) que escreve Maquiavel: um Principado conquistado (portanto, com alguma dificuldade) conserva-se mais facilmente do que um Principado herdado.
E mais: depois que se chega, há muita coisa com a qual se ocupar, ao invés de ficar perdendo tempo lembrando do duro caminho.  
 

Veja as cidades de Guarapari, Anchieta, Piúma... Claro, só as luzes.

Esta foto acima, embora tenha truncado, foi tirada com um recurso de foto panorâmica de 360°, possibilitando mostrar, na mesma foto, o sol nascendo e a lua se pondo.

Eis o grande luzeiro nascendo.

Ei-lo.

Ainda ele. Tá vendo o mar?

E a lua se pondo. Já o relógio mostrava por volta de 06:20h

                                                         Não foi uma bela manhã?

Panorâmica de 180°
Ídem

Que vista é essa, hein?

Panorâmica

Panorâmica de 180°

Ainda.
Panorâmica de 360°
180°
A piscina que veremos adiante, fica nesta área verde, toda arborizada, como se fosse um oásis... É de um bom vizinho.



Ei-la, a piscina.

Uma água benta, por que não?







quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Em Caratinga encontrei amigos que eu não conhecia

                        Gilvan Vitorino C. S.
(Estive em Caratinga, no fim de agosto, para ministrar um treinamento sobre a Lei de Execuções Penais e demais direitos do preso e direitos dos que lhes prestam assistência. Dialoguei com os da Pastoral Carcerária de algumas regiões de Minas Gerais.)
Tenho desfrutado de um prazer, singelo prazer; como faço, fica até bem franciscano. Diariamente, tenho tomado meu café da manhã em padarias. Aqui pertinho existe uma, em Jardim da Penha: café bom, geralmente acompanhado de broa caxambu, evitando a manteiga. Pena que, em se tratando de café comum, aqueles feitos com coador de pano, às vezes sai meio ralo.
Pra mim, tem sido uma das melhores refeições do dia.
Com prosa é sempre melhor, mas é difícil um acordo sobre o horário. Então, tem sido sozinho quase sempre. Se bem que penso em tanta gente nesta hora que em geral estou deles acompanhado.
Em Caratinga, MG, terra de Agnaldo Timóteo, existe uma pracinha, pequenina praça, mas bem simpática, com uma estátua dele. Cheguei e fui logo procurando uma padaria. Era uma tardinha de sexta feira...
Cheguei pela BR 116. Se passasse direto, teria pensado que ali pouco haveria de bom. Mas, padaria me convidou para entrar.
Estacionei e perguntei por uma.
- Logo ali, é uma das melhores padarias daqui – informou um morador.
Fui lá, bebi 02 xícaras de café e comi 01 saborosa broa de fubá e 01 sonho.
Voltando para a hospedagem da igreja que acolhia o encontro da Pastoral Carcerária, vi a praça de Caratinga. A praça e a bela igreja, a catedral. Ambas são belas, imponentes, imponentes pela beleza.

                                                                                        Praça em Caratimga - MG

                                                                       Catedral em Caratinga - MG
Neste mesmo dia, já de noite, fui apresentado aos militantes que pelejam em favor dos direitos dos presos, os agentes da Pastoral Carcerária mineira – gente de Mariana, Caratinga, Ipatinga, Conselheiro Pena, terra da minha mãe, Governador Valadares, etc. E logo fui falando que nossa luta é contra a prisão, e que no futuro nos lembraremos – ou os que vierem depois de nós se lembrarão – com tristeza de que um dia seres humanos aprisionavam seres humanos.
Minas já havia me dado conhecer um grande sacerdote, um grande profeta, um padre – que é já meu amigo. Dessa vez, dentre outros, deu-me um Frei... Vi logo que se tratava de um amigo que eu não conhecia.
Esse povo da Pastoral Carcerária é de luta. Gente de muita idade, de meia idade, de pouca idade. Gente simples, gente de muito conhecimento. Gente tímida, gente desembaraçada. Todos, gente de luta. Eu os chamei e tenho chamado de “aqueles que vão à toca dos leões”.
No sábado, no início do curso sobre LEP – Lei de Execução Penal -, mostrei-lhes a homenagem que lhes fiz (a todos da Pastoral Carcerária brasileira) na minha dissertação de mestrado. Lá, pode-se ler:
Aos que vão aos seres carentes e solitários, lá dentro na toca dos leões. A eles que vão lá enxugar-lhes as lágrimas. Todos eles, muitos dos quais militantes da Pastoral Carcerária.
Falamos de muita violência contra os presos; falamos dos direitos dos quais não desfrutam, pois o sistema prisional insiste em tratá-los como se fossem sujeito de menos direito. Percebi que o tema do uso indiscriminado de algemas teve grande apelo. Ao mostrar-lhes a Súmula Vinculante n° 11 – do STF -, percebi que ficaram surpresos e empolgados, pois não lhes parecia que um sujeito já tão avacalhado como o preso estaria amparado por um texto normativo como este.
Aprendi muito com eles. Cada um me dava informações de muita utilidade.
                   Amigos aprendendo e ensinando a militar contra a violência das prisões 
Ah,Caratinga, que me permitiu encontrar amigos desconhecidos.
No domingo, já voltando, era tanta minha alegria que precisei ligar para um amigo de Vitória para falar um pouco do ocorrido no fim de semana.  Antes de sair da cidade, no entanto, tornei à padaria para me despedir dela. É verdade que se trata de uma muito aprazível padaria, mas, acho que ela não seria a mesma se, principalmente agora, nessa manhã de domingo, não estivessem dialogando comigo, na quietude da lembrança, aqueles amigos que até então eu desconhecia.
Fiquei de Domingo pra segunda em Caparaó, MG, terra dos meus avós, onde ainda tenho tios muito queridos. É uma boa terra, terra fria, mas de muito calor humano. Saí de lá por um caminho ainda não percorrido, mesmo depois de freqüentar Caparaó há tanto tempo... E o caminho novo foi generoso comigo.
                                                                                               Alto Caparaó - MG

                                                            Um simpática casinha no caminho de volta

sábado, 30 de julho de 2011

No caminho para Ouro Preto há uma praça


                       Gilvan Vitorino C. S.
Da janela lateral, do quarto de dormir de uma aprazível pousada, vi a praça. Crianças brincavam e gargalhavam gargalhadas de alegria, e namorados se davam o quanto permitido...
As árvores, bem distribuídas, ornadas por jardins de belas flores – mesmo inverno, ou por isso mesmo – como se fossem lindas saias em belas mulheres, balançavam ao toque de vento gostoso, fresco.
No meio dela, como é típico de antigas cidades, o coreto estava em silêncio... (Seria o frio, o gostoso frio, que convidava ao recato – ao contrário do que se esperaria, quando o movimento aqueceria?). Mas era silêncio de quem peleja na vida e aprendeu com ela, de quem faz uma longa caminhada e permite-se saborear o que encontra pelo caminho. Era daqueles silêncios que falam, bastando silêncio maior para que seja ouvido.
Vi a praça.
É a praça de Mariana.
Mas é a minha praça. E de Josés, Marias e Anas, e dos que vão lá.
E, ainda, é a praça dos que vão a outras paragens, outros lugares que também possuem suas belas praças. Outros lugares de belas praças: Macaé, Centro de Vitória, Araraquara, e lugares bem distantes, até do outro lado do Atlântico.
Mas, uma pequena dose de tristeza – todavia, contraditoriamente, parece uma overdose de tristeza – caiu sobre mim e Carol naquele dia: Amy Winehouse morreu.
Ora, mas eu nem a conhecia.
Porque é a morte de uma jovem de 27 anos. Jovem demais!
Se bem que sempre se é muito jovem para morrer...
Mas a morte dela é uma morte mais triste. Não há nenhuma dose de poesia numa morte como a dela... Se houve alguma dose, foi uma excessiva dose...
Mas a praça ainda estava ali.
E as praças ainda estão lá.
Vamos sair pra ver as praças?
Vê-se muita vida nas praças.   
(Praça de Mariana - MG)
Mariana me lembra um pouco a lição que aprendi com Rubem Alves: saborear a caminhada mais que ansiar pela chegada. Rubem Alves sempre estará a me lembrar que a alegria está aqui, no momento, não lá na frente. Por isso - utilizando uma metáfora que escrevi certa vez ao parabenizar uma amiga pelo seu aniversário -, melhor é uma viagem de janela aberta, com o vento no rosto, olhando e saboreando cada pedacinho percorrido.
Porque passei há alguns anos freqüentar um pouco a bela cidade de Ouro Preto, tenho certa dívida com Mariana. Pois, preferindo a chegada, desprezei o caminho. E Mariana esteve sempre no meu caminho; da estrada, via aquela cidadezinha anunciando a chegada de Ouro Preto... Só isso. Se bem que cheguei a ir até um de seus bares, numa fria noite de julho de algum ano, com um bom amigo que fiz em Ouro Preto... Mas, como era noite, vi pouco do que havia lá.
Então...
Um dia, com Carol e seus pais, quase chegando a Ouro Preto, já muito cansados, preferimos entrar em Mariana – ainda de dia!
E eis que Mariana se revelou...
Há muito mais em Mariana do que aquilo que Ouro Preto, sem saber, permite revelar. Sua praça, ah, que bela praça. Por ali, nos arredores, com casarões belos, muito belos, há pontos de encontro muito agradáveis para que se beba um bom chocolate com conhaque (depois de conhecer assim, fiz com cachaça e ficou muito bom). Aliás, lembro que foi com o Tavares e sua esposa Margarete (os amigos que me conduziram pela primeira vez àquela cidade) que provei pela primeira vez o choconhaque. E, mesmo que eu já tenha bebido anteriormente, o local e as companhias tornaram esse momento inigualável...
Ah, Mariana!
Ates de Mariana, passamos por Manhuaçu. Mas, decidido a entrar na cidade e ver meu amigo Gabriel e conhecer sua noiva, vi também que aquela cidade é mais do que a BR revela.
Depois de chegar a Cachoeira do Campo para comprar panela de pedra sabão, ousamos ir além e visitar Amarantina. Elas são distritos de Ouro Preto. Foi uma vendedora de panelas que nos instou a visitar o Museu das Reduções, neste distrito. Quatro irmãos produziram miniaturas (com escala de aproximadamente 1/25) – acho que são 15 – de construções históricas do Brasil... Dentre elas, além de igrejas de Ouro Preto, do Rio de Janeiro (Outeiro da Glória), do Farol da Barra, a Igreja dos Reis Magos, de Nova Almeida – Serra – ES – foi contemplada. E é a construção mais antiga representada – data, a obra, de 1580.
Sei não, talvez haja uma lição nisso tudo, uma lição de relacionamento interpessoal: há mais nas pessoas do que aquilo que a primeira impressão revela. Então, precisamos descobrir os tesouros que as habitam e fogem à primeira impressão...
Lembro do burrinho pedrês, de Guimarães Rosa, de quem jamais se esperaria tamanha valentia.    
Voltando pra Vitória, passamos por Ponte Nova, cidade do Feio, um amigo que há muito não vejo, que trabalhou comigo na plataforma de Garoupa, Bacia de Campos. Lá, me emocionei com a beleza da Igreja Matriz de São Sebastião.
(Igreja Matriz de São Sebastião – Ponte Nova - MG)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

MISSÃO EM TONS E GOSTOS AMARELOS

                                         Adriano Alves*
Depois de anos voando para os quatro cantos desse país e desse mundão de N. Sr., nesta semana, mais uma vez fui convocado para um vapt-vupt técnico ao nosso cada-dia-mais-querido-Rio-de-Janeiro.
Em tempos de crise no Ministério dos Transportes, talvez influenciado pelas manchetes sobre o DNIT e afins, desta vez, mais por conveniência que necessidade, finalmente ousei dispensar os serviços daqueles antipáticos operadores de raio-x e resolvi encarar a estrada de verdade... E lá estava eu reparando numa telinha, sobre um balcão da rodoviária, a apaixonada Natalie sendo expulsa da cadeia pelo seu amado mau-caráter, Cortez, quando eu subia num amarelão da Itapemirim para reencontrar a igualmente outrora rejeitada “estrada de verdade”, como diria um velho amigo.
E como o amarelão mudou. Comparado àqueles bons tempos de minha infância, quando ia passar férias no interior da Bahia, agora tem água, cafezinho, temperatura ambiente em torno dos 22 graus, uau!, poltronas com considerável inclinação, encosto para esticar as pernas, que combinado com aquela hora perfeita para uma boa relaxada... não me lembro de ter chegado sequer à 2ª. Ponte... apaguei...
Por volta das 2H30 da manhã, ainda sem conseguir avaliar o metro de estrada mais caro do planeta – assim informou o jornal da manhã – acordei em Campos dos Goytacazes, com o barulho da abertura da porta da cabine do motorista e o próprio informando em bom som “15 a 20 minutos para um lanche, pessoal”.
Saltei, zonzo-zonzo, e diligenciei, muito além do que costumo, anotando o número do ônibus na mão... desacostumado, pensei “pra quê?”. Bom, costumava ver minha mãe fazendo isso naqueles tempos... Talvez assim tivesse certeza que havia perdido o ônibus – pra que eu anotei o número daquele ônibus na mão?, pensei... depois de conferir uma super lanchonete, bem organizada, limpa e informatizada – padrão “auto-estrada” – com banheiros tão imundos quanto aqueles que visitamos nas épocas de “amarelinhos-queixos-duros”, retornei após os míseros quinze minutos, aliás, os únicos em que consegui ficar acordado durante todo o percurso até a Cidade Maravilhosa. Excelente pedida o “amarelão”.
Após todos os compromissos de trabalho honrados, ainda não existiu a possibilidade de ir e deixar o Rio sem separar um pouco para namorá-lo, admirando sua beleza, cultura e diversidade. Desta vez, ao invés de partir para mais descobertas nos bairros boêmios do centro-norte-oeste da cidade, também inovei e resolvi curtir a zona sul, sabendo que também não teria errada, claro.
Cinco quilômetros de uma deliciosa corrida no início da noite, da Marina da Glória até Botafogo. Depois, uma comédia no Teatro Leblon. Pela manhã uma caminhada do Posto 08 de Ipanema ao 12 do Leblon. Água de coco. Depois, meio galeto na Av. Visconde de Pirajá. Dois (ou três) douradinhos, claro. Naquela minha tradicional visitinha ao Sebo Al-Farábi, na Rua do Rosário, uma triste notícia. De sebo a café-cult, hoje o Al-Farábi trabalha como restaurante. Oh, tristeza! Lá ainda restam pouquíssimos volumes daquelas pérolas “amareladas” que me acostumei garimpar em cem por cento das minhas visitas ao Rio. Com pesar, questionei ao proprietário – ainda o mesmo –“Putz... e agora? Pra onde eu vou?”, ele sorriu, com certo lisonjeio, e me deu a dica me olhando por cima dos óculos “sabe onde fica ali as Americanas da Uruguaiana?”, assenti “Uhum”, continuou, “fiz bons negócios com os sebos daquela região. Mina de ouro pra quem gosta”.
A caminho da “nova mina”, começou a chover forte... parei e resolvi, então, curtir a chuva com as últimas amarelinhas garimpadas no Al-Farábi e adiei a busca até minha próxima ida ao Rio. Aliás, quanto tempo eu não tomava uma chuva tão gostosa. Será que estou apaixonado? (risos)
Bom, retornei pra casa com o “amarelão” das estradas, claro, e desta vez não querendo mais abandoná-lo quando precisar retornar ao Rio. Curtindo a chuva, e mais ainda o último ouro do árabe do Rosário, encerrei aquela divertida missão com a  dúvida do motorista de táxi que me trouxe até em casa “é aquela ali, Dr?... A amarelinha?”, sorrindo respondi “isso aí, mestre, tão amarela e gostosa quanto aquela nossa famosa caixinha de chocolates”.
* Adriano Alves é engenheiro civil e advogado.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Alto Joeba - Anchieta - ES

                 Gilvan Vitorino C. S. 
São Mateus, aqui no Espírito Santo, é pra mim motivo de boas lembranças.

Foi lá que iniciei minha participação no movimento sindical. Embora eu já tivesse participado de muitas greves quando eu era professor do Município de Cariacica, foi em São Mateus que integrei uma direção de sindicato: o sindicato dos petroleiros do Espírito Santo.

Guriri é uma praia maravilhosa, especialmente agradável devido suas águas mornas. O clube CEPE é lindo: muita bola joguei no seu belo campo, naquela época em que minha coluna ainda me permitia. No Rincão eu comi uma das pizzas mais saborosas da minha vida. Ali, nas avenidas do centro da cidade, lembro de participar de uma passeata com o movimento dos trabalhadores sem terra... Foi São Mateus que primeiramente me apresentou o drama dos povos oriundos dos quilombos, agora sitiados por eucalipto ou vendendo mão-de-obra barata nos centros urbanos.  Foi lá que conheci meu grande amigo "Seu Agenor", que faleceu no final de 2010, um homem que fazia sua própria farinha e um beiju dos mais saborosos.

Em São Mateus, fiz grandes amizades. Alguns amigos há muito não vejo, mas meu coração se alegra com a lembrança deles.

Aquela cidade tem uma das mais belas vistas que conheço. Lá da caixa d’água, vê-se um vale lindo, serpenteado pelo rio Cricaré. Acho aquela vista tão linda que, penso, pode até estar ao lado do velho porto dentre as mais belas atrações da cidade.

Mas, recentemente, encontrei um local que permite uma vista que pode rivalizar com a de São Mateus. Trata-se de um local em Alto Joeba, em Anchieta, aqui no Espírito Santo, acessível pela BR 101. De lá, um local de grande altitude (na próxima vez, pretendo medir a altitude), vê-se Guarapari, Anchieta – com Castelhanos – e Piúma.

A paz lá em cima é algo cativante.

Se for possível conduzir até lá os amigos – esses amigos cuja simples lembrança alegra o coração -, aquele local certamente seria uma alegoria celestial.

Segue uma foto, a única que tenho, por enquanto, daquela bela vista.
                                                  (Foto copiada do ORKUT do Kadi)



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ensaiando

           Gilvan Vitorino C. S.
Criei e já temo a criatura.
Sei que um filho nasce lindo, mas no fundo o pai sabe que já viu um filho nascido não tão lindo assim...
Ora, não pensei que o parto seria tão difícil.
Mas, é preciso agir como orientou Antonio Machado, poeta espanhol: "caminante, no hay camino, se hace camino al andar". Então, caminhemos.
Iniciarei apresentando para o diálogo algumas crônicas que tenho escrito. Umas poderão ensejar um diálogo enquadrado, por assim dizer; outras propiciarão perspectivas reflexas.
Mas, tentarei romper com a timidez e apresentarei poesias minhas, também, e de outros colaboradores.
Espero fazer isto para que o blog seja um "local" de encontro feliz, duro quando for necessário, suave mesmo falando de coisas brutais, franco sem ser insensível...
Na verdade, não sei bem como será o caminho, pois o mato ainda está alto atrás de mim.